A justiça e o design pela humanização

abr 10, 2014 Comente por Public First Class

Por: Christiano Carvalho Dias Bello

Em época de diversas mostras e exposições de design no mercado de luxo ou cotidiano,onde diversas formas de expressão e humanização de ambientes se encontram,me perguntam qual a relação desse com a Justiça, ou o que um poderia ajudar o outro. Não pretendo me ater a questões técnicas de desenho arquitetônico, de decoração ou ideias da psique quanto aos espaços e ambientes planejados e decorados, mas percebo um paralelo de nossa decoração com o momento do país e do mundo.

Quem não se recorda ou viveu tempos em fazendas ou sítios de vasto ambiente verde,muita água por cachoeiras, lagos, rios ou grutas, e tinha no casario um mobiliário rústico, que sempre ornou bem com o lado externo verdejante e pujante de sua natureza em verdadeira contraposição?

Hoje, a realidade é um pouco diferente e,diante da rusticidade ou aridez de nossas cidades e o dia a dia comercial, os ambientes estão cada vez mais aconchegantes e acolhedores, como se pretendessem amparar seu usuário de um mundo menos natural e solidário.

Para tal ambientação passou a se valorizar e engrandecer os profissionais (arquiteto,designer, decorador, cenógrafo, paisagista,florista, entre tantas outras profissões).

Pode parecer um paralelo sem sentido, e respeito as opiniões contrárias, mas o mesmo hoje se demonstra na Justiça, houve o tempo em que a mesma era árida e distante. Mas diante de um mundo cada vez mais árido e seco, a Justiça tem dado  mostras de socialização, aproximação ao usuário e desburocratização.

Em poucos anos, a Justiça deu grandes saltos com a digitalização de processos e procedimentos que, embora custem o emprego de alguns, geram grande bem estar ao usuário final do sistema pelo incremento em transparência e agilidade.

Outro ponto positivo são as campanhas a favor de conciliações e diminuição de litígios, bem como a legalização de uso de cartórios em geral para divórcios e inventários visando dar celeridade aos resultados. Infelizmente, ainda não houve o prestígio e valorização dos envolvidos com a Justiça: os operadores de direito,cartórios em geral ou, em especial, os advogados. A profissão outrora venerada passa o dia a dia em seu esvaziamento.Em que pese os novos mercados e possibilidades, estes são restritos agrandes centros e poucos conseguem a capacitação para atuar em tal.

O risco claro é de se perder o fio condutor,pois num mercado qualquer onde se esvazia uma profissão se perde a qualidade. Assim é com os jornalistas,contadores, médicos ou outros tantos.Afinal por que se acredita necessário trazer médicos de outros países para clinicar no Brasil, qual a razão de tal, senão o desastrado sistema de planos de saúde e SUS que conseguem remunerar uma cirurgia de retirada de amídalas em cerca de R$80,00 a um médico? Ah, mas é uma remuneração para se trabalhar com volume, dirão alguns. Positivo, mas uma única complicação em uma única cirurgia e o médico haverá de trabalhar outras cem ou duzentas cirurgias iguais para fazer frente ao “custo” de eventual erro, com advogados, indenizações e outros.

Semelhante caso é o da Justiça e os advogados. Honorários não são esmolas,e sucumbência (o que o juiz manda a parte perdedora pagar ao advogado da vencedora), não pode ser simbólica. Hoje,justamente pela agilidade e necessidade de especializações, os escritórios passaram a ser verdadeiras empresas, com funcionários, secretárias, estagiários,advogados encarregados de determinadas áreas, etc… Ocorre que a Justiça agracia o usuário final e desprestigia o meio de atuação deste, o advogado, que assim como o próprio judiciário tem papel fundamental e previsto e garantido na Constituição Federal.

Espero que a Justiça em sua modernização e humanização possa perceber e aprender o que fez evoluir e engrandecer a decoração,o design e outras tantas profissões; as empresas, os institutos e os sistemas são feitos de pessoas e, essas sim, devem ser louvadas, agraciadas e valorizadas.Parabéns a todos profissionais do design,arquitetura, decoração e assemelhados, eque a Justiça possa aprender com essa parcela da sociedade que torna nossos lares mais humanos e aconchegantes.

Christiano Carvalho Dias Bello – advogado e consultor. Sócio de Bello Advogados. Email: christiano@belloadvogados.com.br

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