Cristiana Arcangeli – Uma mulher que não para de criar

jun 02, 2011 Comente por Public First Class

Perfeccionista, obstinada e cheia de idéias que se transforamaram, e ainda se transformam, em grandes projetos e altas cifras. Assim pode ser descrita uma das empresárias mais bem sucedidas do Brasil.

Formada em Odontologia, essa implacável mulher começou a trabalhar assim que se formou e nunca mais parou. Seus empreendimentos sempre estiveram ligados a saúde e estética. Criou uma de suas empresas, Phytoervas, a partir de cinco funcionários, e o que era apenas um conceito, transformou-se em um meganegócio que despertou o interesse de uma multinacional. E, de lá para cá, não faltaram ideias.

Recentemente lançou sua nova linha de produtos de saúde e beleza, a Beauty’In, e se prepara para a estréia de um novo programa de TV, onde será apresentadora.

Você é formada em odontologia, por que resolveu atuar no ramo de cosméticos; qual foi sua motivação?

Sou movida a desafios, eu gosto de coisas novas e sentia que faltavam naturais produtos de qualidade. Descobri essa brecha no mercado e resolvi lançar a linha Phytoervas.

Consegui chegar aonde queria? Como foi percorrer este caminho?

Acho que sim, sou bem feliz. O caminho foi cheio de altos e baixos, coisas fáceis e menos fáceis. Mas foi bacana, sou bem satisfeita com o que eu consegui fazer.

O que dá mais prazer no seu trabalho?

Criar coisas novas.

Você colabora para revistas, escreveu livros, tem uma linha de jóias, os produtos de beleza e agora a “Beauty Drink”. De onde surgem tantas idéias?

Não sei, é uma boa pergunta. Eu sou assim mesmo, meio inquieta, talvez.

Você iniciou a Phytoervas com cinco funcionários e, 12 anos depois, já estava com 600 e com alto faturamento. De que maneira se deu esse crescimento?

Em 12 anos muitas coisas aconteceram, lançamos muitos produtos. Começamos com três produtos e, quando me dei conta, já tínhamos mais de 140 diferentes. A mesma coisa com os pontos de venda, fomos de dois para 18 mil; o negócio cresceu muito. Foi uma fase bastante difícil para o Brasil, passamos por sete planos econômicos e por mudanças de moeda. Foi uma época bastante conturbada na economia, muitas coisas aconteceram. Mas acho que, no final, eu acertei mais do que eu errei, por isso o negócio andou.

Você foi a criadora do primeiro evento de moda do país, o Phytoervas Fashion, de onde surgiu a idéia e por quê?

A idéia veio do evento da Elite que eu apoiava, o Look of The Year e, naquele ano, o evento se chamou Phytoervas Look of The Year. Nós lançávamos novas modelos, então, tinha um desfile, que foi dirigido pelo Paulo Borges. Eu fiquei assistindo ao desfile, e notei que haviam roupas muito bonitas que ele usou nas modelos antigas da Elite, que também fazem uma apresentação durante o evento. Eu gostei muito das roupas e quis que eles me explicassem de onde vinham essas roupas. O Paulo me explicou que eram de alguns estilistas brasileiros novos muito talentosos, mas que ninguém conhecia; e isso me deu vontade de conhecê-los. Fui ao estúdio do Walter Rodrigues, que era em um pequeno apartamento na Rua Major Sertorio, mas ninguém conhecia e não vendia. Pensei que se conseguíssemos fazer um evento para lançar estes estilistas e um dia fazer uma coleção de cosméticos ou perfumes com a marca desses estilistas, talvez eu pudesse exportar os produtos; porque sempre quis exportar Phytoervas e nunca consegui, é muito difícil exportar uma marca brasileira. E não se consegue justamente porque aqui as marcas não levam o nome de um estilista, como acontece lá fora, levam o nome de empresas. Quando você compra o perfume de um estilista, você também compra o estilo que ele está te vendendo, o conceito de se vestir e de se arrumar que ele está propondo. Quando você compra o nome de uma empresa, não tem tanto estilo por trás, então é mais difícil. Eu quis um estilista brasileiro conhecido suficientemente para que pudéssemos exportar uma linha com a marca dele. Foi assim que surgiu o Phytoervas Fashion.

Você já esteve envolvida em diversos projetos, sendo bem sucedida em todos, mas mudando e criando novos projetos muito rápido. Por que? É o desejo pelo novo?

Eu vivo fazendo coisas, inovações e trabalhos pioneiros. Trazer novos conceitos e produtos é algo que eu gosto de fazer. A Éh eu lancei e foi um ano de “gestação” até nascer o produto. Tantas coisas acontecem nesse tempo, que parece que muito passou.

O que a Cristiana e suas marcas tem em comum?

Acho que a vontade pelo novo, apreciar o estético, já que sempre me preocupo muito com a cara da embalagem. A praticidade, uma coisa urbana, mas ao mesmo tempo natural; esse conceito da filosofia de produtos naturais e orgânicos que fazem bem à saúde. Viver mais e melhor está na minha filosofia de vida, e acho que isso tudo é transportado em todas as minhas linhas.

Você aborda assuntos como natural, orgânico e meio ambiente. O que pensa sobre o assunto?

Eu sou meio fanática com isso, é uma preocupação que eu tenho não só na minha vida pessoal, mas nas marcas e nas empresas também. A Phytoervas era natural, a Éh já era natural e orgânica, então, é uma evolução que aconteceu com o tempo. Essa preocupação com reciclagem e meio ambiente existe desde a Phytoervas, onde tínhamos a Fundação Phytoervas de Proteção ao Índio Brasileiro. Acho que é uma preocupação com o meio ambiente e com a sociedade em que você vive.

A equipe ideal tem que ser?

Ela tem que gostar do que faz; gosto que todos que trabalhem comigo sintam isso, façam exatamente o que gostam. Isso é a coisa mais importante. Segundo, tem que ter comprometimento com o que está fazendo. As vezes as pessoas fazem o trabalho no “automático”, mas o comprometimento é necessário para ir além do que as pessoas esperam de você.

Como fazer para ela seja assim?

Você ser dessa maneira, porque acho que as pessoas se espelham um pouco na pessoa que está liderando o projeto. Gostar do que faz e ter uma energia boa, mesmo que tenham coisas que você não goste, mas o dia a dia é assim. As formas de resolver os problemas é que muda, pode-se resolver de uma forma estressante ou de uma maneira boa. Acertando os ponteiros as coisas evoluem muito rápido. Sempre falei que a Phytoervas era uma religião e não uma empresa, o que repito até hoje para todos os outros projetos.

Você tem dois livros publicados e a participação em um terceiro; o que você queria apresentar ao leitor?

Os livros, o feminino e o masculino, são livros de qualidade de vida; como viver mais e melhor. Como se cuidar e dicas de beleza. O outro é da Endeavor, uma ONG que ajuda novos empreendedores que eu faço parte há mais de 10 anos. Essa ONG tem vários voluntários, que juntos, escreveram um livro: “Como fazer uma empresa dar certo em um país incerto”.

Como foi a experiência de fazer parte do Aprendiz?

Foi muito bacana, uma experiência muito gostosa. Hoje tenho dois aprendizes trabalhando comigo, conheci gente muito interessante. É um programa dinâmico, um jogo de xadrez; o formato do programa é muito inteligente. Foi bom, acho que o melhor foi a troca com os próprios aprendizes. A líder Cristiana é?Ah, não sei, acho melhor perguntar para outra pessoa. Risos. Assim, acho que sou muito informal, bastante participativa, exigente comigo e com os outros. Não sou uma pessoa que fica brava ou nervosa. Acho mais fácil conseguir as coisas das pessoas numa boa, do que gritando e dando tapas na mesa. Acho que meu lado psciano não me deixa ser assim.

Quem é a mulher Cristiana Arcangeli?

Nossa, atrasada! Estou sempre atrasada, correndo atrás do rabo para dar conta de tudo o que me meto e quero fazer. Estou sempre correndo, sempre em movimento. Uma pessoa em movimento, eu diria.

Como você se sente quando o Álvaro diz a todo mundo que você é a mulher da vida dele?

Ah, eu adoro! É muito gostoso, ele faz uma declarações incríveis. Ele é incrível, muito romântico.

Sobre o seu programa que será lançado no dia 25, do que se trata e de onde surgiu a idéia?

A idéia é da empresa holandesa Endemol, a maior produtora de conteúdo do mundo. Esse programa está no ar e 60 países e é o formato de maior audiência da produtora, porém, o Extreme Makeover veiculado no exterior é o home edition, onde uma família que tem necessidades é escolhida para ter a casa reformada. A diretora da Endemol no Brasil é a Daniela Busoli, que criou o Extreme Makeover social, que irá atender uma comunidade, e não apenas uma família. Inicialmente iremos fazer cinco creches, que irão atender as professoras, as crianças e a comunidade num todo. Você atende muito mais gente do que reformando apenas uma casa. Serão beneficiadas em torno de mil crianças, tirando os professores, famílias e comunidades. A Record se interessou pelo programa e me chamaram para fazer. 

Cheiro – A lasanha que meu pai fazia

Gosto – Da minha água

Grife – Roberto Cavalli

Viagem – Dubai

Lugar – Portijo, estação de esqui no Chile

Cor – Branco

Música – Rock romântico

Livro – Li um sobre a trajetória da felicidade

Filme – Nasce uma Estrela

Paixão – Álvaro Garnero

Amor – Álvaro Garnero

Deus – Meu maior companheiro

Personalidade First Class – Steve Jobs

Um sonho realizado – Esse programa

Um a realizar – Vou sonhar, depois te conto

Insatisfação – Mais uma inquietude, eu diria

Recordação boa – Nascimento das minhas filhas

Recordação ruim – Sou tão otimista, acho que já esqueci

Cristiana por Cristiana – Perfeccionista

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