Brunete Fraccaroli: Alegre, apaixonada e surpreendente

jun 02, 2011 1 Comentário por Public First Class

Alegre, apaixonada e surpreendente. Essa é Brunete Fraccaroli. Uma mulher que irradia simpatia e bom humor, que transmite através de seus olhos brilhantes a paixão pela profissão e que navega em mares muito mais profundos que somente o da arquitetura.

A arquiteta, que ficou famosa por conta dos seus belíssimos projetos e premiações, além de atender, em média, 200 clientes por ano, também é mãe, colecionadora de um dos mais raros acervos de barbies e única dona do segredo das essências feitas pela fábrica que herdou da família. A Public First Class teve o prazer de entrevistar Brunete em sua casa e agora divide um pouco com vocês da vida dessa amável mulher e excelente profissional.

Public First Class – Você sempre quis ser arquiteta e por qual razão escolheu essa profissão?

Brunete Fraccaroli - Eu sempre fiquei muito dividida entre fazer medicina ou arquitetura, pois sempre gostei da parte estética, tanto dos ambientes quanto das pessoas. Sou apaixonada por arte e pela criatividade, tanto que pintei meu gato de azul quando eu era pequena (risos). Além disso, fazia experiências com as paredes do meu quarto.

Quais as maiores satisfações que a sua profissão lhe dá?

Um dos projetos que eu mais adoro é o Espaço Deca que fiz em 1999 na Casa Cor. O projeto trata-se de uma caixa de vidro que, na época, ninguém no Brasil e no exterior havia realizado um trabalho do gênero. Hoje, quando vou para Nova Iorque e vejo a caixa de vidro da MacinTosh, que é exatamente o meu projeto reproduzido, acredito que realmente foi o meu projeto da vida. Foi o que mais me gratificou até hoje, pois foi a primeira vez que eu trabalhei com vidro e passei a entender do que não entendia. Mas no geral, tive muitas alegrias na vida. Acho que o mais satisfatório é a amizade que se cria com os clientes e, principalmente, o reconhecimento do seu trabalho por eles.

Hoje, você é umas das profissionais mais reconhecidas na sua área. O que levou você a alcançar essa posição? Qual o segredo de ser bem sucedida?

A autenticidade, porque eu sempre faço aquilo que eu acredito. Sempre procuro fazer o projeto adequado e dar um resultado eficiente para o cliente, mas ao mesmo tempo vibro cada minuto com aquilo que eu faço. Eu brinco que eu trabalho com o meu hobby e acho que esse é um dos motivos de eu ser bem sucedida.

Em que momento você percebeu que todos a reconheciam como profissional?

Até hoje eu não acho que sou famosa (risos), eu nunca imaginei e nem fiz nada para ser conhecida. É engraçado como eu não tenho essa sensação e nunca senti essa virada, mesmo quando me pedem autógrafo na rua. Nessas horas, eu me belisco e penso o quão irreal é aquela situação. Chego a me sentir a Xuxa (mais risos). Eu nunca acordei e disse: “Eu sou famosa”. Mas a minha mãe consegue perceber e sempre diz: “Filha, como você é famosa” (risos).  O gostoso mesmo é quando as pessoas te param para falar que reconhecem o seu trabalho e que a levam como exemplo. Isso é o mais sólido e gratificante.

O que é arquitetura para Brunete Fraccaroli?

Arquitetura é tudo. É um meio de vida. É qualidade de vida no espaço em que você vive unindo o meio ambiente sem alterá-lo e o utilizando de maneira harmônica.

O que não pode faltar num espaço seu?

Um bom agasalho. Uma boa mantinha. Um local aconchegante, onde você possa esticar os pés, se deitar e ficar à vontade. Tem que ser um espaço bem lúdico. Essa é minha maneira de projetar.

Quantos clientes, em média, você atende por ano?

Aproximadamente 200 clientes por ano, o que significa 200 obras.

Qual o diferencial dos seus projetos?

É o auto-astral e a boa fluidez dentro da arquitetura, onde as pessoas possam conversar em amplos espaços.

Sabemos que você já fez projetos em Milão e Nova Iorque, o padrão do público brasileiro já está equiparado com os níveis internacionais?

Acho que sim, nós temos grandes clientes que atingem o nível internacional. Nós temos uma qualidade de vida no Brasil excepcional.

O que é ousar num ambiente para você?

É poder tudo. Isso é ousar.

Por que um cliente deve contratá-la?

Porque eu sou ótima (gargalhada).

Qual o seu estilo?

Eu não tenho estilo propriamente dito, sou bastante flexível e eclética. Eu nado pelos estilos, mas sempre tem uma pitadinha do moderno, uma pitadinha do antigo, um pouco de cor e brilho. A gente tem que mergulhar no espírito do cliente.

Hoje com tantas conquistas alcançadas e prêmios recebidos, você se considera uma pessoa plenamente realizada profissionalmente?

Eu me sinto realizada, mas eu acho que ainda tenho muitas coisas para fazer, tantos prêmios para ganhar e tantas coisas para realizar.

Você acredita que a Casa Cor e outras mostras abriram portas para você?

Com certeza, tanto a mídia escrita, falada e a Casa Cor são fundamentais para profissionais da nossa área, pois nossos projetos são dentro da casa das pessoas e não há como serem visualizados por todos. Mostras são imprescindíveis para você expor seu trabalho e mostrar sua capacidade. Nelas você pode fazer o que quiser, pois tem patrocinadores que te dão o céu como limite.

A Casa Cor desse ano esteve preocupada com a responsabilidade social e acessibilidade. Você toma cuidado com esses fatores nos seus projetos?

Eu tomo muito cuidado. Se vocês repararem na minha casinha que fiz esse ano na Casa Cor, ela tem uma rampa de acessibilidade. O arquiteto deve prestar atenção nesses detalhes, pois é muito desagradável quando uma pessoa não tem a acessibilidade que nós temos e ela não consegue sentir por completo a fantasia da arquitetura e da decoração. É uma humilhação para a pessoa não conseguir acessar determinado local e eu não quero que ninguém perto dos meus projetos, passe por esse tipo de situação. É por essa e por outras que tomo muito cuidado com a acessibilidade.

Dados mostram que o mercado de luxo está em ascensão. A arquitetura se inclui nesse crescimento?

Com certeza, mas acho que o luxo também é você poder dividir isso com outras classes. Por exemplo, às vezes a gente não consegue fazer um projeto para uma classe menor, mas eu consigo fazer uma consultoria. Então, todo mundo tem acesso as minhas idéias. Eu acho que o luxo é isso, não o luxo somente ligado ao valor, mas o luxo dando qualidade de vida para todo mundo. Não é somente a classe AA que sustenta o mercado de luxo, mas também as classes B e C. Todo mundo quer viver bem e é isso que faz o mercado arquitetônico se movimentar cada dia mais.

Quantos empregos são gerados na construção de uma obra milionária?

Aproximadamente mil empregos. Uma média de mil profissionais trabalhando em uma obra.

Além de trabalhar com arquitetura, você tem algum outro negócio?

Sim, também sou industrial. Tenho uma fábrica de essências, chamada Fraccaroli, que herdei de família e tomo conta há nove anos. Fazemos aromas para balas, como a frumello e o chiclete adans. Eu sou a única que tenho o segredo das essências e sou eu que as preparo.

Ficamos sabendo que você tem uma grande coleção de Barbies. Qual a sua relação com a boneca mais famosa do mundo?

Tudo começou com uma matéria que a revista Veja fez sobre a Casa Cor 12 anos atrás, na qual fui capa com o título “Eu sou a Barbie” (risos). A partir de então, eu passei a receber várias Barbies de presente e resolvi assumi a personalidade da Barbie (mais risos). Quando eu já tinha um número significativo de Barbies, o shopping D&D me convidou para expor minhas bonecas numa mostra de colecionadores que ia ser realizada. Quando fui procurar as minhas bonecas para a exposição, elas haviam sumido. Resumindo, a minha filha tinha dado todas as minhas bonecas para os pobres (risos). Fiquei desesperada e fui atrás das Barbies. Graças a Deus, consegui resgatá-las, mas elas voltaram sem roupas e acessórios. Eu liguei para o estilista Tide, que veste a mim e a Adriane Galisteu, para ver se ele poderia fazer algumas roupinhas para as minhas 70 bonecas. Ele disse que poderia fazer apenas cinco. Ai, eu liguei para outros estilistas, como Ventura e o Clodovil para ver se eles poderiam me ajudar. Com a ajuda de todos, consegui vestir 30 bonecas para serem expostas no D&D. A coleção foi muito comentada por conta das Barbies usarem modelos de estilistas brasileiros e, por isso, outros profissionais me procuraram para desenhar roupas para minhas bonecas, o que levou a uma nova exposição, só que dessa vez numa Casa Cor. Eu recebo Barbies de presente quase todos os dias. Acho maravilhosa a preocupação das pessoas comigo. Eu morro de ciúmes das minhas 256 bonecas, pois tenho Barbies vestidas pela estilista falecida Vera Arruda, com sapatos do Fernando Pires e jóias da H. Stern. Cada uma é mais especial que a outra.

Qual o ambiente da sua casa que você mais gosta e por quê?

Eu adoro o meu living, adoro essa cadeira de bichinhos que estou sentada e adoro meu quarto, pois é um local onde relaxo, leio livros e fico aconchegada com minha cachorra Sissi e minha filha. Meu quarto é um local só meu, que eu abro a porta só para quem é muito amigo.

Brunete Fraccaroli por Brunete Fraccaroli?

A mãe da Juliana.

Para você, o que é uma pessoa First Class?

É alguém que tenha sensibilidade e que saiba viver bem.

Pingue Pongue

Um cheiro: framboesa

Um sonho: fazer um navio

Um gosto: batata frita

Uma música: New York, New York

Um filme: Sissi

Um livro: A bíblia

Uma grife: Louis Vuitton

Um político: Geraldo Alckmin

Um amigo: muitos

Deus: meu pai

Família: minha mãe

Uma frase: Eu adorei estar com vocês aqui

 

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Uma resposta to “Brunete Fraccaroli: Alegre, apaixonada e surpreendente”

  1. Elizabeth says:

    Linda, exuberante, mulher de classe. Você me encantou em mulheres ricas. Fiquei sua fã.
    bijos

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